Esquizofrenia   26 de julho de 2009

Devido à novela esta doença está em pauta. Mas o que é exatamente esquizofrenia?

Para você entender melhor, vou traduzi-la de uma forma bem natural e corriqueira.

Quantas vezes você ficou com um pensamento persistente em sua cabeça, acreditando piamente que este pensamento era verdadeiro, mesmo todos a sua volta tentando lhe provar o contrário?

Quantas vezes você desconfiou de alguém, e só sossegou quando todas as evidências lhe provaram o contrário, mas mesmo assim ficou com a pulga atrás da orelha, dizendo que o seu sentimento é contraditório a realidade que se apresenta?

Aumente estes sentimentos e pensamentos milhões de vezes, e poderá ter uma noção do que se passa numa mente esquizofrênica.

Primeiro o esquizofrênico se fecha em suas próprias convicções, o que chamam de delírio, depois ele tentará atuar na vida de acordo com suas convicções, neste momento (dependendo do tipo de alucinação) ele poderá colocar sua vida ou de outras pessoas em risco, é quando as pessoas começam a perceber que há algo de estranho com ele, e a intervenção é obrigatória. Quando a pessoa entra nesses devaneios e sai da realidade objetiva, ela se conecta com o astral atraindo e ampliando de forma desordenada vários pensamentos.

É neste ponto que ela é confundida com um médium em desequilíbrio, o que piora seu estado, porque de alguma forma isto reforça a sua permanência num discurso incoerente, mas agora com um respaldo espiritual.

Todos nós temos estas cisões em nossa mente, o que vai denotar numa doença é apenas o grau em que ele se apresenta.

Rivalidade entre irmãos   20 de março de 2008

Antigamente havia a questão do primogênito, este tinha além de maiores regalias afetivas a herança garantida, restando quase nada aos demais filhos. Ao primogênito era lhe dado a herança Divina da família, este tinha a incumbência da descendência.  Relata a Bíblia a história dos primeiros filhos de Eva, Caim e Abel. Caim era lavrador e Abel pastor de ovelhas. Caim trouxe uma oferta ao Senhor, assim como Abel. Mas o Senhor  agradou-se da oferta de Abel, e não se agradou da oferta de Caim. Caim leva Abel ao campo e mata-o.Outra história: Israel tinha 17 filhos e amava mais a José porque era filho de sua velhice e lhe presenteou com uma túnica. Os irmãos o odiavam. José contou para eles um sonho em que via todos os irmãos encurvando-se para ele. E os irmãos disseram: Reinará ele sobre nós? E o odiaram ainda mais. E armaram um plano para matá-lo. Só que ao invés de matá-lo venderam-no como escravo. José passa a ser governador do Egito e o seu sonho se concretizou.Nestas duas histórias vemos a rivalidade entre irmãos, devido a  necessidade de sentirem amados e preferidos pelos pais.Até recentemente na Europa em especial na Espanha um filho é eleito pelos pais para cuidar deles até o final da vida, ficando este com uma herança maior e os demais filhos saem de casa para fazerem a própria vida. O critério da escolha é aquele que mais se afina com os pais ou o primeiro filho. Este passa a manter os costumes da família.A ordem organizacional de uma família se constitui na autoridade dos pais e na igualdade entre irmãos. Quando esta igualdade se vê abalada, surge o sentimento de ciúmes e competição para ver quem será o melhor, quem reinará no coração dos pais. Este sentimento pode ser aumentado de acordo com as atitudes dos pais, quando estimulam a competição no intuito muitas vezes, de um irmão se espelhar no comportamento do outro irmão, por exemplo ao dizer: Porque você não se comporta tão bem quanto seu irmão? Olha ele, arruma seu quarto, e você não, ele é bom e você é mau.Estas atitudes ao invés de gerar motivação para melhorar o comportamento, só instigam a inveja, o ciúmes, raiva, rivalidade e comportamentos totalmente opostos aos esperados pelos pais. Estes acreditam que a competição os fará se esforçarem para melhorarem. Mas isto apenas contribui para a diminuição da auto – estima, e para se afastarem ou atacarem o objeto odiado: o irmão.Na realidade o que falta é  o respeito, a individualidade de cada um.No fundo os pais tendem a ver a família como uma coisa só, e os pertencentes da mesma como iguais. Qualquer um que se diferencie será rejeitado e o amor posto sob condições.A fantasia é que se por ventura não tivesse irmãos, o filho único bastaria para agradar estes pais. Por isto é comum o ciúme de uma criança na chegada de um irmãozinho, como se os pais tivessem lhe dizendo: você não é suficientemente bom para nós, precisamos de mais.Cada filho ocupa um lugar na constelação familiar, este lugar é demarcado pelo nascimento, e lhe traz direitos iguais porém deveres diferentes.Na antroposofia estuda-se o perfil psicológico do primeiro, segundo e terceiro filho, que são: Primeiro Filho: recebe maior atenção, cuidados e expectativas especiais, cabendo a este manter os costumes, normalmente são mais apegados a família, na falta dos pais são eles que tomam a iniciativa para manterem a família unida, promovendo encontros, seria o chão da casa. Segundo Filho: seria as paredes da casa, o que irá unir o céu a Terra, normalmente são os que ficam em cima do muro diante de situações decisórias, realizando um papel de intermediário. Terceiro Filho: é considerado o teto da casa, aquele que foge dos padrões da família, é comum o sentimento de não pertencerem a esta família, são pessoas mais voltadas ao futuro e lançam-se em empreitadas diferentes da família. Quarto Filho: tem a mesma dinâmica do primeiro só que mais acentuada. Quinto Filho: semelhante ao segundo. Sexto Filho: semelhante ao terceiro. E assim por diante.Muitas vezes a rivalidade se instaura quando esses papéis não são respeitados, o segundo filho quer ocupar o lugar do primeiro por exemplo.A rivalidade diminui quando há respeito pela individualidade e pelo lugar que cada um ocupa, estimulando os pontos favoráveis, sem utilizar o outro como exemplo de comportamento almejado, bem como pela igualdade de afeto e regalias que os pais propiciam, isto não quer dizer dar o mesmo para todos, mas dar para cada um, o que este necessita.

Relacionamento entre Homem e Mulher   17 de março de 2008

Hoje em dia as pessoas vão morar só, para adquirir independência. Os casais começam a morar juntos, para experimentar a vida a dois, antes de assumir um compromisso de casamento, e muitas vezes só pensam em se casar com a idéia de um filho.

A duração da relação está intrinsecamente ligada a intensidade e a profundidade da relação, quando isso se esvai, a relação termina, alegando incompatibilidade de gênio.

E é justamente na busca desta profundidade, que os casais caem na própria armadilha.

Esperam por uma comunicação aberta, onde tudo deve ser partilhado com o parceiro, desde os seus casos antigos, até casos atuais, não suportam o sentimento de ser excluído da intimidade do outro, quando são traídos querem saber os detalhes, apresar de sofrido, atenua o sentimento de exclusão. Neste desejo de transparência doentia esconde-se o desejo de controlar o parceiro. A lealdade absoluta além de cruel é grosseira.

Em nome da liberdade, onde cada um faz o que deseja, como se isso fosse possível, o desejo é ilimitado, o homem está fadado a escolher e portanto a lidar com frustrações. Ao tentar negar isso e erguer a bandeira da liberdade total, reflete a dificuldade da entrega amorosa, numa tentativa de fugir da dor da possibilidade de perda.

Esta falsa noção de independência, não dar satisfação de seus atos, como prova de independência (sendo que querer bem também é dar satisfação ao outro). Ignorando os sentimentos do outro faz com que a pessoa se coisifique e consequentemente perde-se o prazer de estar junto, admiração cai, o tédio vem e para sair disto, só mesmo numa outra relação.

Acredita-se que num relacionamento amoroso não pode haver trincas, uma pequena falha, e a relação está condenada a morte, é a frustração zero, é esquecer que frustração, não é desvio, mas faz parte da bagagem humana.

Para não enfrentar estas dores e decepções a pessoa pode optar para viver só na paixão, que é intensa, curta e de pouca profundidade, pois quando o sentimento de tristeza pedir acolhimento não o encontrará nesta relação, assim como os projetos de vida que naturalmente se faz, não há guarida nesta paixão que é apenas infinita enquanto dura.

Ou a pessoa pode se isolar, vivendo uma vida de eremita, cuja sociedade de hoje possibilita que a pessoa possa até trabalhar sem travar nenhuma relação íntima com alguém.

Mas o que é exigido de nós para termos um bom relacionamento? Já que no fundo é isso mesmo que queremos? Ninguém nasceu para viver sozinho. Crescemos na interação com o outro. A alma conclama por vier um amor. Mas logo vem o medo de perder a liberdade: Amar ou ser livre? Abrir mão de si para o outro entrar?

A mulher durante muito tempo foi submetida ao homem, conquistou a independência e perdeu a singeleza de ser mulher, por conseguinte o homem não sabe mais qual é o seu papel. Estamos num momento histórico único, da relação entre homem e mulher, não temos referencial do passado em como devemos agir, apenas do que não queremos fazer, o que já é um inicio.

O que faz nascer uma historia de amor? O milagre do feitiço entre dois olhares, que passam a se desejar e a temer a perda… Talvez nunca consigamos explicar o que mobiliza essas reações, mas podemos identificar a trajetória amorosa.

Acredito que esta atração se dá de forma totalmente inconsciente, e que é a sabedoria interna de cada um, que elege o parceiro, num impulso genuíno de evolução. É como se soubéssemos que aquela pessoa tem algo que nos auxiliará nos processos evolutivos do nosso ser. E uma das maiores felicidades do homem é quando ele se reconhece crescendo, evoluído enquanto pessoa.

É deste impulso que surge a curiosidade inicial de saber mais sobre o outro. O encanto dos primeiros encontros é perceber o interesse do outro em ouvir e ser ouvido, em estar agradando, podendo ser espontâneo e perceptivo. O que torna essas conversas transformadoras, elucidativas, amplia a percepção do mundo e permite entrar em contato com os sentimentos, provocando prazer e admiração  pelo outro, pelas suas habilidades. Surgindo aquele olhar de admiração, de afeto, de confirmação das qualidades, o espelho preferido de todos, que enaltece o que o outro tem de melhor, isto faz se sentir sedutor e atraente e estimula o desejo de ficar junto.

O que fazer para manter uma historia de amor?

É claro que aqui exige mais esforço, dedicação, cuidados especiais, maturidade e segurança em si.

Falar claramente com o parceiro, expor o desejo sem que este seja uma ordem, ou ficar esperando adivinhações, perguntar sempre o que o outro deseja.

A gratidão é uma forma de expressão do amor, reconhecer as gentilezas e retribuí-las, reforça os laços afetivos, algumas pessoas desvalorizam o que recebem pois confundem gratidão com fragilidade.

Perceber que é nas diferenças individuais que podem ampliar a percepção de mundo e crescer, não querer impor a sua razão, mas compreender a maneira do outro ser, respeitar, e se mostrar realmente interessado no que o outro faz.

A admiração inicial que se tem por alguém, reflete exatamente o que nos falta, e durante a relação tenderemos e criticar e a denegrir determinadas atitudes, caso não venhamos a desenvolve-las em nós, e para isso requer auto-conhecimento de suas próprias limitações, amorosidade com sigo e tolerância.

 Ninguém sabe tudo sobre si mesmo, portanto não podem ter a arrogância de achar que já sabe tudo do outro, pois isso acaba com o interesse e causa distanciamento. Poder ouvir o outro com o mesmo interesse inicial fortalece e mantém os laços afetivos, pois as pessoas mudam, o homem de hoje não é mais o jovem de ontem. Manter acessa a chama do interesse, da curiosidade, da admiração, é manter o amor em profunda efusão.

Saber que temos condições internas para lidar com as frustrações, e decepções, nos colocam em contato direto com a realidade de que a matéria amorosa é elástica, flexível, portanto não trinca. Na primeira discussão, não quebra com as dificuldades da relação, pelo contrario se fortalece e cria vínculos duradouros, onde poderemos dizer que o amor é companheiro, amigo, amante, materno, mantém núncias da paixão. É o amor sob a forma de solidariedade.

Numa relação amorosa não existem garantias, o que existe são os riscos inevitáveis dessa viagem de rumo incerto, é poder estar totalmente aberto para o que vier e aprender a lidar com o desejo de controlar tudo, afinal somos aprendizes do amor.

É na busca insana de segurança, que se cria laços de dependência, submissão, domínio, é por esta via que o amor escapa, dando lugar ao tédio e a falta de interesse.

Antigamente amar era estar inserido um no outro, um dentro do outro, onde inevitavelmente um perde a individualidade e o outro se sente sobrecarregado. Com medo desta inserção total, criou-se a individualidade total, cada um por si, neste caso não há relação. Hoje é necessário manter a individualidade, com alguns pontos incomuns que unirá este casal, sem que um se perca no outro, mas cresça com o outro, só desta maneira poderemos entender e viver o amor livremente.