Rivalidade entre irmãos 20 de março de 2008
Antigamente havia a questão do primogênito, este tinha além de maiores regalias afetivas a herança garantida, restando quase nada aos demais filhos. Ao primogênito era lhe dado a herança Divina da família, este tinha a incumbência da descendência.
Relacionamento entre Homem e Mulher 17 de março de 2008
Hoje em dia as pessoas vão morar só, para adquirir independência. Os casais começam a morar juntos, para experimentar a vida a dois, antes de assumir um compromisso de casamento, e muitas vezes só pensam em se casar com a idéia de um filho.
A duração da relação está intrinsecamente ligada a intensidade e a profundidade da relação, quando isso se esvai, a relação termina, alegando incompatibilidade de gênio.
E é justamente na busca desta profundidade, que os casais caem na própria armadilha.
Esperam por uma comunicação aberta, onde tudo deve ser partilhado com o parceiro, desde os seus casos antigos, até casos atuais, não suportam o sentimento de ser excluído da intimidade do outro, quando são traídos querem saber os detalhes, apresar de sofrido, atenua o sentimento de exclusão. Neste desejo de transparência doentia esconde-se o desejo de controlar o parceiro. A lealdade absoluta além de cruel é grosseira.
Em nome da liberdade, onde cada um faz o que deseja, como se isso fosse possível, o desejo é ilimitado, o homem está fadado a escolher e portanto a lidar com frustrações. Ao tentar negar isso e erguer a bandeira da liberdade total, reflete a dificuldade da entrega amorosa, numa tentativa de fugir da dor da possibilidade de perda.
Esta falsa noção de independência, não dar satisfação de seus atos, como prova de independência (sendo que querer bem também é dar satisfação ao outro). Ignorando os sentimentos do outro faz com que a pessoa se coisifique e consequentemente perde-se o prazer de estar junto, admiração cai, o tédio vem e para sair disto, só mesmo numa outra relação.
Acredita-se que num relacionamento amoroso não pode haver trincas, uma pequena falha, e a relação está condenada a morte, é a frustração zero, é esquecer que frustração, não é desvio, mas faz parte da bagagem humana.
Para não enfrentar estas dores e decepções a pessoa pode optar para viver só na paixão, que é intensa, curta e de pouca profundidade, pois quando o sentimento de tristeza pedir acolhimento não o encontrará nesta relação, assim como os projetos de vida que naturalmente se faz, não há guarida nesta paixão que é apenas infinita enquanto dura.
Ou a pessoa pode se isolar, vivendo uma vida de eremita, cuja sociedade de hoje possibilita que a pessoa possa até trabalhar sem travar nenhuma relação íntima com alguém.
Mas o que é exigido de nós para termos um bom relacionamento? Já que no fundo é isso mesmo que queremos? Ninguém nasceu para viver sozinho. Crescemos na interação com o outro. A alma conclama por vier um amor. Mas logo vem o medo de perder a liberdade: Amar ou ser livre? Abrir mão de si para o outro entrar?
A mulher durante muito tempo foi submetida ao homem, conquistou a independência e perdeu a singeleza de ser mulher, por conseguinte o homem não sabe mais qual é o seu papel. Estamos num momento histórico único, da relação entre homem e mulher, não temos referencial do passado em como devemos agir, apenas do que não queremos fazer, o que já é um inicio.
O que faz nascer uma historia de amor? O milagre do feitiço entre dois olhares, que passam a se desejar e a temer a perda… Talvez nunca consigamos explicar o que mobiliza essas reações, mas podemos identificar a trajetória amorosa.
Acredito que esta atração se dá de forma totalmente inconsciente, e que é a sabedoria interna de cada um, que elege o parceiro, num impulso genuíno de evolução. É como se soubéssemos que aquela pessoa tem algo que nos auxiliará nos processos evolutivos do nosso ser. E uma das maiores felicidades do homem é quando ele se reconhece crescendo, evoluído enquanto pessoa.
É deste impulso que surge a curiosidade inicial de saber mais sobre o outro. O encanto dos primeiros encontros é perceber o interesse do outro em ouvir e ser ouvido, em estar agradando, podendo ser espontâneo e perceptivo. O que torna essas conversas transformadoras, elucidativas, amplia a percepção do mundo e permite entrar em contato com os sentimentos, provocando prazer e admiração pelo outro, pelas suas habilidades. Surgindo aquele olhar de admiração, de afeto, de confirmação das qualidades, o espelho preferido de todos, que enaltece o que o outro tem de melhor, isto faz se sentir sedutor e atraente e estimula o desejo de ficar junto.
O que fazer para manter uma historia de amor?
É claro que aqui exige mais esforço, dedicação, cuidados especiais, maturidade e segurança em si.
Falar claramente com o parceiro, expor o desejo sem que este seja uma ordem, ou ficar esperando adivinhações, perguntar sempre o que o outro deseja.
A gratidão é uma forma de expressão do amor, reconhecer as gentilezas e retribuí-las, reforça os laços afetivos, algumas pessoas desvalorizam o que recebem pois confundem gratidão com fragilidade.
Perceber que é nas diferenças individuais que podem ampliar a percepção de mundo e crescer, não querer impor a sua razão, mas compreender a maneira do outro ser, respeitar, e se mostrar realmente interessado no que o outro faz.
A admiração inicial que se tem por alguém, reflete exatamente o que nos falta, e durante a relação tenderemos e criticar e a denegrir determinadas atitudes, caso não venhamos a desenvolve-las em nós, e para isso requer auto-conhecimento de suas próprias limitações, amorosidade com sigo e tolerância.
Ninguém sabe tudo sobre si mesmo, portanto não podem ter a arrogância de achar que já sabe tudo do outro, pois isso acaba com o interesse e causa distanciamento. Poder ouvir o outro com o mesmo interesse inicial fortalece e mantém os laços afetivos, pois as pessoas mudam, o homem de hoje não é mais o jovem de ontem. Manter acessa a chama do interesse, da curiosidade, da admiração, é manter o amor em profunda efusão.
Saber que temos condições internas para lidar com as frustrações, e decepções, nos colocam em contato direto com a realidade de que a matéria amorosa é elástica, flexível, portanto não trinca. Na primeira discussão, não quebra com as dificuldades da relação, pelo contrario se fortalece e cria vínculos duradouros, onde poderemos dizer que o amor é companheiro, amigo, amante, materno, mantém núncias da paixão. É o amor sob a forma de solidariedade.
Numa relação amorosa não existem garantias, o que existe são os riscos inevitáveis dessa viagem de rumo incerto, é poder estar totalmente aberto para o que vier e aprender a lidar com o desejo de controlar tudo, afinal somos aprendizes do amor.
É na busca insana de segurança, que se cria laços de dependência, submissão, domínio, é por esta via que o amor escapa, dando lugar ao tédio e a falta de interesse.
Antigamente amar era estar inserido um no outro, um dentro do outro, onde inevitavelmente um perde a individualidade e o outro se sente sobrecarregado. Com medo desta inserção total, criou-se a individualidade total, cada um por si, neste caso não há relação. Hoje é necessário manter a individualidade, com alguns pontos incomuns que unirá este casal, sem que um se perca no outro, mas cresça com o outro, só desta maneira poderemos entender e viver o amor livremente.